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MARIE ANTOINETTE DE SOFIA

Marie Antoinette de Sofia caiu na polêmica, para não cair no historicismo. A audácia da diretora foi humanizar a rainha francesa como quis. Há duas biografias correntes e ela escolheu exatamente a mais polêmica para inspirar o filme. A juventude criativa de Sofia é uma prova (entre várias outras) de que a mídia e a arte estão convergindo. É dessa mesma conversão que advém uma outra polêmica insistente: a da dita “arte pop”.

 

A audácia por misturar “cultura pop” e arte foi ainda mais além quando Sofia escolheu para cenário não uma cidade entupida de letreiros publicitários, mas a corte real francesa do século XVIII, em toda sua futilidade e desligamento, que culminaram na famosíssima e quase mítica Revolução Francesa. Fazer isso entre personagens historicamente conhecidos e em um tempo distinto do nosso, em que se dá a “arte pop” já sob críticas, é aumentar ainda mais a polêmica sobre o que está sendo feito.

 

Os franceses que gostaram do filme protegeram a licença artística de Sofia e julgaram seu filme pela obra de arte que é, a partir do ponto de vista que a diretora escolheu. Tanto o foi, que o filme recebeu Prêmio de Cinema do Sistema Educacional Francês e a nomeação à Palma de Ouro em Cannes. Mas, por outro lado, foi vaiado em sua primeira projeção, na sessão para jornalistas, durante o mesmo festival.

 

Sofia deixou de fora muita coisa que queria ser vista pelo público que ansiava a personagem histórica. Eles queriam, por exemplo, ver “o povo”, mas “o povo” no filme de Sofia era apenas um barulho de multidão mudando a rotina de Antoinette. O mundo novo que se desenvolveu para ela depois do casamento foi um mundo interior (interior no sentido de “íntimo”) e, neste mundo interior, não cabiam noções como “povo” nem “nação”. Os pensamentos dela eram outros e isso não a fazia má, mas alheia; seu pecado foi ser uma alheia de “sangue real”. Não há perdão popular para uma rainha estrangeira de 18 anos em um país como a França, principalmente quando este país está explodindo de fome.

 

Apesar de não se prender à história, o filme não quis abrir mão da pompa de ser um filme de época e ganhou vários prêmios de maquiagem, cabelo, guarda-roupa e direção de arte. Mesmo com o episódio do all star lá em meio aos sapatos do guarda-roupa real - uma licença poética (como lembrou bem um amigo). Nessa mesma linha, Sofia escolheu usar, além de música clássica, uma trilha rock e isso deixou uma simbologia muito forte a respeito da perenidade dos sentimentos adolescentes, a qualquer época. Ela comunica essa sensação várias vezes e é uma das coisas mais fortes do filme.

 

Mas foi criticada por isso também. Alguns estranharam ver a rainha francesa com ar de “virgem suicida”, ressaltando aqui que Kirsten Dunst não foi escolhida por acaso. Ela remete ao primeiro filme da diretora, As Virgens Suicidas (1999), seria muito inocente pensar que não. Marie Antoinette (2006) seria exatamente o 2º filme de Sofia e teria saído antes de Encontros e Desencontros (2003), não fosse pela dificuldade com a pesquisa histórica e a quantidade de personagens.

 

Como vêem, descaradamente, protegi o filme, nada imparcial este textinho! Isso porque, no meio de polêmicas (e Marie Antoinette levantou mesmo polêmicas), temos de ficar de algum lado, não acham? Esse é o meu.



Escrito por patrícia dourado às 22h40
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A função deste trisco é ter textos reunidos e ter, de quebra, alguém com rosto azul de tela de computador pra ler. Falar de tudo é o lema, mas só o tudo que me interessar. Vou escrever tudo pequeno também, porque agora é tempo dos condensados.

Nada de sagas nem epopéias!

É só um trisco, hum?



Escrito por patrícia dourado às 10h46
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Perfil

Patrícia Dourado, 24 anos.

Apresentação do trisco

O trisco não é um diário, é um cantinho para textos.

A função é reunir textos e ter, de quebra, alguém com rosto azul de tela de computador para ler. Falar de tudo é o lema, mas só o tudo que me interessar. Se escapulir coisa de diário, é porque todo texto fada ao autoral mesmo.

Os assuntos daqui talvez dessem pano para muito mais manga, mas, como o veículo é a internet e não é nada profissional, o melhor é ficar tudo no condensado mesmo, um trisco.

Mesmo sendo o intento escrever de tudo, esse tudo talvez teime em ir para assuntos de Cinema. A sorte é que Cinema sempre envolve outros mil assuntos. Então, vamos lá, que seja divertido!

 

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