
EXTERMÍNIO 2
Não era meu intento publicar nenhum texto aqui que fosse de crítica negativa a algum filme. Mas, como faz tempo que não assisto a algum que valha uma crítica (positiva), o tiro vai sair pela culatra e vou falar mal do Extermínio 2. Não é de todo mal - melhor dizer isso logo, a proposta era de dar algum crédito ao filme: o fato de ser uma “continuação” do Extermínio (otimistas como eu dão crédito a isso). Mas, infelizmente, não fosse pela história, este filme pouco teria a ver com o Extermínio de Danny Boyle (diretor de Cova Rasa, Trainspotting, A Praia e produtor executivo desse filme).
As primeiras cenas do filme eram de intenção pronta e dita de causar uma espécie de euforia violenta. Mal eram mordidos, os novos "infectados" já começavam imediatamente a atacar (sem nem o corpo morrer antes, quase como se fosse uma situação de possessão, um virar de olho). Muito sangue, muito grito, câmera de mão enlouquecida etc... Recursos, ao meu ver, de apelação total para parecer moderninho (falei como uma nojenta agora).
Continuo.
A música é a mesma do primeiro, o que também quase me fez acreditar que daria certo, mas como pensei nisso? É outro filme, então como assim a mesma música? Isto mesmo que você está pensando: as imagens não casaram com a música. Era outro filme, estilo diferente (bem diferente), outra história também, por que daria certo? Teria de ter um feeling muito bom para fazer isso com harmonia; o que não aconteceu. Muitas cenas, que eram para ser de uma tensão enorme, acabaram por dar em cenas de tensão nenhuma, como quando o casal de irmãos recebem do pai a notícia de que a mãe está morta. Além da estranha feição dos irmãos, a situação se agravou com a música destoante.
Outra cena bem exemplar disso é quando o casal de irmãos protagonistas saem para pegar uma fotografia da mãe na antiga casa (o menino está com medo de esquecer o rosto da mãe) e, para chegar lá, eles passam por uma Londres abandonada e proibida por causa da epidemia, e deveriam sentir medo, pois sabiam que estavam em uma área infestada. Se não fosse uma situação de terror (imagine sua cidade devastada e sua mãe morta) seria bem interessante a sensação de “dono do mundo” em meio a tudo deserto, mas não era o caso. Ver o menino gritando “esta cidade é minha, toda minha” não era bem o que eu poderia chamar de harmonioso.
O argumento que eles utilizaram para a “continuação” era bom e válido. O primeiro se desenrolava “28 dias depois” de estourada a epidemia; o segundo, “28 semanas depois”, quando o controle se rompe e a epidemia novamente se alastra (os Estados Unidos teriam controlado). Isso poderia ter dado certo, até porque não foi a proposta que invalidou o filme; mas o filme em si que se invalidou, com as seqüências de cenas despropositadas (como um filme pouco pensado, feito às pressas) e a falta de estilo do diretor que não soube prosseguir com o barco andando.
Está feito. Acho que lancei críticas suficientes, quando nem queria fazer isto no Trisco. Deixo por aqui, que já me aproveitei demais da liberdade de pecar contra os próprios princípios. Fica então a dica (o texto tem algum propósito além de criticar, vejam só): quem não assistiu ao Extermínio (28 Days Later) que inspirou essa “continuação”, pense em ver, é uma boa, muito boa pedida. Fez até alguém, a esta altura do campeonato da vida, acreditar em “continuações” (2, 3, a revanche) mesmo sabendo de toda lógica de mercado que cerca o cinema faz tempo. Ai minha santa inocência...
*Ah, e muita gente gostou dessa continuação, até mais que do primeiro, inclusive a crítica oficial... só para acrescentar.
Escrito por Patrícia Dourado às 13h48
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