trisco


 

I still believe in Paradise

 

"I still believe in paradise,

because it’s not some place that you can look for,

because it’s not where you go...

It's how you feel for a moment in your life,

when you are a part of something.

And if you find that moment, it lasts forever”.

(The Beach)

 

Vida alternativa, universo paralelo, mundinhos particulares, misticismo, religião, embriagues! Quem nunca tentou a segunda via? O mundo foi lá em cima, falou em futurismo, acho que o futuro seria uma robô-cinética desenfreada e achou que isso seria bom. Já ouvi quem dissesse “Nada de ter filhos, não vou colocar mais um nesse mundo cão”. Ok, bom pensamento. Quem não acredita neste mundo, cão, que não ponha mais ninguém nele mesmo, entendido: uma via.

 

Ouvi esta semana também uma professora que comentava a intenção de morar fora da cidade e “levar uma vida auto-sustentável”. Achei uma idéia curiosa, mas que inicialmente não me seduziu. Como assim? E o trabalho e a vida e aquela sensação louca de achar que está produzindo alguma coisa (ou pelo menos se preparando pra isso)? Colégio, faculdade, trabalho, turma de amigos, aqueles tropeços casuais... nada disso me veio a mente na “vida auto-sustentável” de que ela falava.

 

Ela então me explicou sobre um bairro ecológico, semelhante às ecovilas de São Paulo e Curitiba, que está sendo construído no Eusébio. Bem, o Eusébio não é tão longe. Pelo que entendi, como as ecovilas, são bairros residenciais que tem por base a construção e a manutenção não-poluente. Hum. Mas e o fluxo humano? Tudo bem ser minimamente poluente, mas quantas pessoas vão estar nesses bairros, há socialização ou só interação com a natureza? Nossa! quanta desinformação! A parte mais interessante foi pensar em sair do trabalho e chegar em casa, uma casa que não seja só um lugarzinho a alguns quarteirões do trabalho. Como ter dois mundos separados e não exatamente paralelos, com toda dualidade comum e necessária à maioria dos seres humanos. Embora não pensemos muito sobre essas necessidades...

 

Bacana o misto dos extremos e essa idéia de trabalhar na cidade (continuar a se estoporar de vida agitada) e saber que, bem acolá, há a sua casa, à espera, me pareceu uma idéia bem legal. Pensar na casa como de fato um recanto para onde ir e de onde sair todos os dias me pareceu uma idéia agradável. Até o caminho a se fazer todos os dias entre esses mundos me pareceu de uma rotina agradável (bem, foi o que senti com a rápida imagem mental que fiz depois de processar melhor a idéia). Todos os dias indo e vindo entre os dois mundos, a casa e o trabalho. Ah, gostei.

 

Talvez, depois de algum tempo, eu cansasse, é um risco. Mas, não sei, como ela falou, são bairros, não exatamente sociedades apartadas. Esse que está sendo construído é o primeiro – bairros com organizações diferentes dos bairros onde moramos hoje, tá certo. Mas seria uma boa experiência, haveria mais pessoas com a mesma idéia, uma idéia de comunidade para o século XXI (às vezes acordo tão positiva – escrever às 6 da manhã dá nisso)! Eu bem queria muito que desse certo e realmente gostei da notícia de saber dessas coisas por aqui.

 

O mundo tem suas organizações, ao mesmo tempo coletivas e individuais. E, no individual, está principalmente o “direito” de escolha. Bem ou mal, somos nós que trilhamos nossos caminhos e fazemos nossas escolhas. Se o mundo em que posso acabar pondo mais uma criança é um mundo cão, isso é muito pelas minhas escolhas também. Bem, acredito no paraíso! como um lugar qualquer que a gente elege (mesmo que por um tempo) como paraíso. Se o paraíso pode ser minha casa, pelas minhas escolhas, melhor ainda. Essa história toda me lembrou do filme A Praia (2000), que gosto particularmente e por isso acabei revendo ontem.

 

Viver em sociedade sempre vai ser uma questão delicada, mesmo que a sociedade seja pequena (ou até pior, se for). Quem assistiu A Praia deve saber do que estou falando. Mas é quase impossível não pensar em novas formas de se organizar socialmente sempre, como também já não é mais tão fácil ignorar os distúrbios das nossas relações egoístas com o planeta e com a questão ambiental, o “auto-sustentável” tem tido seus conceitos alargados e incorporados à prática. Bairros assim são opções válidas, pelo menos enquanto construímos (descobrimos) novas formas de viver. E se não for, pra que existe a marcha-ré? Vamos em frente, não deu certo: ré e mudança de caminho. Tentar a segunda via, em tudo, é um troço bem humano.

 



Escrito por Patrícia Dourado às 10h36
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Perfil

Patrícia Dourado, 24 anos.

Apresentação do trisco

O trisco não é um diário, é um cantinho para textos.

A função é reunir textos e ter, de quebra, alguém com rosto azul de tela de computador para ler. Falar de tudo é o lema, mas só o tudo que me interessar. Se escapulir coisa de diário, é porque todo texto fada ao autoral mesmo.

Os assuntos daqui talvez dessem pano para muito mais manga, mas, como o veículo é a internet e não é nada profissional, o melhor é ficar tudo no condensado mesmo, um trisco.

Mesmo sendo o intento escrever de tudo, esse tudo talvez teime em ir para assuntos de Cinema. A sorte é que Cinema sempre envolve outros mil assuntos. Então, vamos lá, que seja divertido!

 

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