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ERA UMA VEZ NO OESTE de Sérgio Leone

  

Bem, não tem ninguém me obrigando a escrever ou mesmo algum prazo estabelecido que tenha de cumprir, então só escrevo para o Trisco quando rola de estar muito afim. Também não sou nenhuma aficionada compulsiva que acha que tem de escrever, porque tem de escrever, porque tem... As dicas do Rilke aos jovens poetas não colam comigo. Ainda mais porque não são bem poemas o que circula por aqui. Então é assim, ando demorando muito entre um post e outro, porque nada anda mexendo muito comigo, sem crise. Fora que ando com uma preguiça sem nome de ver filme, ou seja, tá difícil unir o útil ao agradável.   

 

Mas semana passada assisti Era uma vez no oeste (1968) e achei ideal para trazer pra cá, agora que ando sem muita vontade de ver filme como também de escrever. A verdade é que ele NÃO vale uma crítica. Toda besteira que pensei em escrever sobre esse western, deu em alguma coisa muito fajuta na frente do que é cada cena dele. E o mais curioso é que eu pensava mesmo em descrever exatamente as cenas, já que era o mais legal do filme, então já viu, ia cair num trabalho inútil.

 

Então olha que doido, acabei abrindo um post pra falar que NÃO VOU FALAR DO FILME, mas que vocês, mesmo assim, vejam. Podem dizer: “boa". Aconteceu que já foi alguém que me indicou esse filme e que, mais ou menos, tentou descrever uma cena dele pra mim, mas depois percebi que, desse filme, é meio loucura contar as cenas assim. Acaba que as pessoas que assistirem ao filme depois vão achar tua descrição ridícula.

 

Mas, para não ficar só no papo-furado total e não falar nada do filme (pra criar um gostinho) e também para um de vocês me chamar de ridícula depois, vou descrever (curtamente) aquela que é a minha cena preferida do filme. Bom lembrar que se trata de um western muito macho, e para machos. Mas, ironicamente, é desse filme uma das personagens mais femininas que já vi no cinema, a Sra. McBain (foto). O diálogo da cena acontece enquanto a Sra. McBain está deitada na cama com o assassino do seu marido (mais um machão) que pergunta, com a mão enfiada no meio das pernas dela e abismado com o prazer que ela parece estar sentindo: “A senhora é mesmo capaz de tudo pra continuar viva, não é?” E ela responde forte, séria, mas sem parar de parecer que está sentindo muito prazer: “Sou, acredite”.

 

Acabei de estragar minha cena preferida, mas vejam o filme todo e estraguem pra alguém a cena preferida de vocês. O filme inteiro é uma seqüência de cenas arrumadas como se arrumam cenas para serem imortalizadas, bem por isso é um clássico, não só do western, mas do cinema todo.

 

Podia falar ainda da música, dos atores, da fotografia, da história que envolve vingança, honra e disputa, mas isso tudo é muito ordinário na frente da experiência, ao mesmo tempo forte e divertida (“ao mesmo tempo” mesmo), de assistir a Era uma vez no oeste. Odeio parecer baba-ovo de qualquer filme, ainda mais agora que ando meio fraca para filmes, e esse texto já tá ficando com cara disso. Melhor acabar aqui.

 



Escrito por Patrícia Dourado às 16h08
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Perfil

Patrícia Dourado, 24 anos.

Apresentação do trisco

O trisco não é um diário, é um cantinho para textos.

A função é reunir textos e ter, de quebra, alguém com rosto azul de tela de computador para ler. Falar de tudo é o lema, mas só o tudo que me interessar. Se escapulir coisa de diário, é porque todo texto fada ao autoral mesmo.

Os assuntos daqui talvez dessem pano para muito mais manga, mas, como o veículo é a internet e não é nada profissional, o melhor é ficar tudo no condensado mesmo, um trisco.

Mesmo sendo o intento escrever de tudo, esse tudo talvez teime em ir para assuntos de Cinema. A sorte é que Cinema sempre envolve outros mil assuntos. Então, vamos lá, que seja divertido!

 

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